quinta-feira, 15 de maio de 2008

Tire as sandálias dos teus pés - Joubert Andrade

Êxodo 3:1-10

No mundo antigo, as sandálias eram quase tão importantes quanto vestir, comer ou beber. Significavam proteção, segurança e até status social. Os pobres, geralmente, utilizavam as mais simples, sem muita aparência. Conforme se tinha dinheiro, era possível adquirir as melhores, de couro bem curtido, com escolha de cores, e algumas até com detalhes em ouro ou prata. Com o tempo, outros calçados foram inventados, mas a intenção inicial ainda permanece: proteger os pés e evitar o contato direto com o chão. No caso de Moisés, era praticamente impossível andar sem sandálias no deserto com tantas pedras, areia quente, espinhos e muitas outras armadilhas para os descalços. Ainda assim, para pisar num lugar santo, Deus ordenou-lhe tirar as sandálias dos pés.
Ora, a intenção divina sempre foi de vivermos na Sua presença. No Éden era assim. Não haviam sapatos, nem roupas, nem barreiras, era total a transparência entre o homem e Deus. Com o pecado, a primeira atitude humana foi de cobrir-se e, porque não, calçar-se também. Esse comportamento de auto-proteção e pudor resulta da perda da intimidade, da perda da proteção divina, da separação causada pelo pecado. Quando o Senhor chamou Moisés do meio da sarça ardente, estava na verdade tentando uma reaproximação com o homem, mais especificamente, com o Seu povo escolhido. Tirar as sandálias, naquele momento, se constituía numa volta à intimidade, num contato direto com a santidade de Deus, num retorno ao início de tudo, numa postura de reverência esquecida em meio a pecaminosidade humana. Moisés pensou em se aproximar da glória de Deus de qualquer forma, ou como se fosse pisar num chão qualquer, porém, o Senhor sempre propõe um contato mais profundo, uma experiência marcante, algo diferente que mude a nossa história.
Ainda hoje usamos sandálias. São artifícios e situações criadas por nós mesmos, seja para nos protegermos, seja para esconder o pecado, seja para fingir ser alguém que, no íntimo, não somos. Vamos cada dia acumulando barreiras e agravando mais e mais a nossa separação de Deus. Queremos nos achegar ao Pai, vemos Sua glória de longe na vida de outras pessoas, nosso coração até se entristece por não conseguirmos pisar em lugar santo, mas nem sempre nos dispomos a ficar descalços diante dEle. Tirar as sandálias pode significar o abandono de práticas que nos dão prazer; pode ser pagar um preço a mais; derrubar as barreiras que nos impedem de oferecer uma adoração plena; deixar de lado o pudor ou a vergonha e nos despirmos das roupas do pecado, do fingimento, da apatia; enfim, nos descalçarmos da nossa própria segurança e nos lançarmos na areia do Santo dos Santos onde está a glória do Senhor. Infelizmente, ainda há ministros de louvor, músicos e vocalistas forçando a barra para entrar na presença de Deus de pés calçados. Eles usam sandálias de orgulho, soberba, altivez, sabedoria humana, mas não conseguem pisar em solo sagrado. Tocam bem, cantam bem, mas são incapazes de se misturar com o lugar Santo. Até fingem bem, parecem falar diretamente com o Pai, porém, a sua distância do Santíssimo continua, pois, para avançar a fronteira do sobrenatural , a ordem permanecerá a mesma: Tire as sandálias dos teus pés porque este lugar é Santo! Portanto, andemos descalços do nosso eu, da nossa vaidade, é tempo de calçar-se de Santidade, de reverência. Entreguemo-nos aos cuidados do Senhor, Ele é a nossa melhor proteção no caminho de areia quente e espinhos desta nossa vida.

JOUBERT ANDRADE

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